Na treva arcaica do médio tempo
Nocturno…
Em que a divindade se manifesta
No homem, na sua triste condição…
Subsiste um exíguo deus pagão
Que talha com sortilégios de luz
No olhar do ser singelo, tirania
A ambição…
A soberba soberania…
Sob o clarão nocturno e esférico
D’um astro fadado ao perpetuo ciclo
Carregado do desejo oculto, amante
Fixam-se, mutuamente, bocas sedentas
Do tacto ardente, do afecto quente
Na paixão… que mente…
Na completa loucura…
Incendeia-se o querer, mais que tudo
O grito torna-se mudo, olhar, ver, tudo!
…
Nada…
…
Carvão escravo da mão insana
Pinta, pinta… pinta, PINTA!!!
Risca-me essa parede banhada da claridade
Que se apague o alvo tom da mocidade
Pois apenas sonhei ter sonhado com ela
Nos meus braços… toda… ela…
E afinal, nem a tive, nem a perdi
Foi apenas um vulto, nem sei, se senti…
Era a Lua, na minha parede… era! ERA!
Que eu queria escrever, com meus dedos
Toda ela! Essa lua branca, como a pele
DELA!
…
Mas…
Só queria…
Confessar, baixinho… meus tristes medos…
Acabei então… aqui, caído neste chão…
Com os moveis, a serem como penedos…
Esperando que a Lua morra,
Para que possa dormir, aqui
Neste quarto sem cortinas…
Onde espero, sentado, por ti…
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
sábado, 31 de Outubro de 2009
Neo Morpho Génesis
Um inicio pérfido da afinidade factual
Contígua informação que não se incorpora
E uma mente em constante negação
À realidade que se funde com o sonho
Sobre a determinação mais marcada
Abandona-se a divina quimera…
Nasce então o pragmatismo desistente
Sob a tutela de uma vida contundente
Morre a esperança, a convicção, a mente
Dizendo, “quem, a mim dera”…
Reformulando o teorema, a arcada
Restaurando o fulcro, talvez, suponho
Coloco pedras angulares em admiração
Para que passe sob o olhar, que chora
O conhecimento, da condição, actual
E o ser renasce… intelectual, espiritualmente
Reedificando-se, constante, permanentemente
Para que sobreviva, pelo menos, parcialmente
O pequeno pedaço, que nos deu vida, a mente!
Contígua informação que não se incorpora
E uma mente em constante negação
À realidade que se funde com o sonho
Sobre a determinação mais marcada
Abandona-se a divina quimera…
Nasce então o pragmatismo desistente
Sob a tutela de uma vida contundente
Morre a esperança, a convicção, a mente
Dizendo, “quem, a mim dera”…
Reformulando o teorema, a arcada
Restaurando o fulcro, talvez, suponho
Coloco pedras angulares em admiração
Para que passe sob o olhar, que chora
O conhecimento, da condição, actual
E o ser renasce… intelectual, espiritualmente
Reedificando-se, constante, permanentemente
Para que sobreviva, pelo menos, parcialmente
O pequeno pedaço, que nos deu vida, a mente!
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Os mistérios da vendeta cósmica
Todo o acto se encontra com contradição
Entrelaçada sobre as vinhas da raiva
Flores de sangue, reflectida a gloria
Nasce ódio sobre a mais pura razão
Tomada por vitória, cruel e fria devastação
Negras velas do barco, carregadas de injuria
Afunda-se então, esperança, a compreensão…
Resta apenas, fumo, filosofia, planos, fúria!
E de gerações em comunhão, ódio fraterno
Crescem raízes sobre os dedos e o escrínio
Matura ódio e planos sobre o fatal desígnio
Guardados nos segredos da dor, do eterno
Chega então o fadado instante, da restituição
Justiça poética levada a cargo por Nemesis
Desconhecida figura, da morte encarnação
Que faz olhar no espelho da vaidade, sublime
O tolo que se perde dentro do próprio olhar
Que queime a vista, para não mais contemplar
E que jamais encontre paz, sobre seu crime…
Entrelaçada sobre as vinhas da raiva
Flores de sangue, reflectida a gloria
Nasce ódio sobre a mais pura razão
Tomada por vitória, cruel e fria devastação
Negras velas do barco, carregadas de injuria
Afunda-se então, esperança, a compreensão…
Resta apenas, fumo, filosofia, planos, fúria!
E de gerações em comunhão, ódio fraterno
Crescem raízes sobre os dedos e o escrínio
Matura ódio e planos sobre o fatal desígnio
Guardados nos segredos da dor, do eterno
Chega então o fadado instante, da restituição
Justiça poética levada a cargo por Nemesis
Desconhecida figura, da morte encarnação
Que faz olhar no espelho da vaidade, sublime
O tolo que se perde dentro do próprio olhar
Que queime a vista, para não mais contemplar
E que jamais encontre paz, sobre seu crime…
sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
A pancada que me deu
Recebi uma pancada
Tão forte, tão profunda, potente!
Que da pancada que levei
Fiquei com uma pancada persistente
É minha, esta pancada e só minha
Única, singular, intransmissível
Impossível de ser copiada
Não, nem por outra pancada
Por parecida que seja, a pancadinha
E não foi algo às três pancadas
A pancada que sobre mim se abateu
Foi só uma, como se de água fosse
Que de pancada caiu todo o céu
E que pancada foi essa…
Unida num tecido sem fim, o eu…
Toda a luz, se apagou no infortúnio…
Tudo a pancada varreu…
De tão forte a bordoada
Que teu coração deu no meu
Hoje tenho uma pancada…
É simplesmente…
Algo que carrego… que me deu…
Tão forte, tão profunda, potente!
Que da pancada que levei
Fiquei com uma pancada persistente
É minha, esta pancada e só minha
Única, singular, intransmissível
Impossível de ser copiada
Não, nem por outra pancada
Por parecida que seja, a pancadinha
E não foi algo às três pancadas
A pancada que sobre mim se abateu
Foi só uma, como se de água fosse
Que de pancada caiu todo o céu
E que pancada foi essa…
Unida num tecido sem fim, o eu…
Toda a luz, se apagou no infortúnio…
Tudo a pancada varreu…
De tão forte a bordoada
Que teu coração deu no meu
Hoje tenho uma pancada…
É simplesmente…
Algo que carrego… que me deu…
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Já disponivel ao publico, finalmente, Obscuramente.
Neste Link:
http://www.corposeditora.com/site/mostra_obra.asp?idcoleccao=29&idobra=497
Obrigado a quem acreditou que era possivel.
Neste Link:
http://www.corposeditora.com/site/mostra_obra.asp?idcoleccao=29&idobra=497
Obrigado a quem acreditou que era possivel.
terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Sem fuga
Planos desesperados são o recurso do limite
Encontrando-me no limiar do sono profundo
Noutro mundo, segundo considerações que dite
Digo, não por dizer, não, não neste mundo
Saltar então, para a morte ou ficar, morrer
Sobre o meu próprio pé, rezando, sem fé
Sentir que a vida escorrer entre os dedos
Com ou sem visões de uma existência, feliz
Quem o diz?
O vento leva-me contrariado…
Nas pontas dos dedos
Em bicos de pés
Perco equilíbrio
Caio…
Não vejo o fundo, colorido ou pintado!
Apenas sigo o vento cortante do precipício
Escuridão adentro a toda a brida, hospício!
Abro os braços
Estico as pernas
Encaro o vazio
E acelero ainda mais
Na direcção vertical
Perco o medo
Cerro os olhos e
Perco-me na queda!
.…..
Acordo… apenas um sonho…
Apenas, SOS.
______________________________
Ciclo de poemas dedicados ao DPSM
Encontrando-me no limiar do sono profundo
Noutro mundo, segundo considerações que dite
Digo, não por dizer, não, não neste mundo
Saltar então, para a morte ou ficar, morrer
Sobre o meu próprio pé, rezando, sem fé
Sentir que a vida escorrer entre os dedos
Com ou sem visões de uma existência, feliz
Quem o diz?
O vento leva-me contrariado…
Nas pontas dos dedos
Em bicos de pés
Perco equilíbrio
Caio…
Não vejo o fundo, colorido ou pintado!
Apenas sigo o vento cortante do precipício
Escuridão adentro a toda a brida, hospício!
Abro os braços
Estico as pernas
Encaro o vazio
E acelero ainda mais
Na direcção vertical
Perco o medo
Cerro os olhos e
Perco-me na queda!
.…..
Acordo… apenas um sonho…
Apenas, SOS.
______________________________
Ciclo de poemas dedicados ao DPSM
terça-feira, 11 de Agosto de 2009
Obliterações mudas
Quando se tenta por fé ou vontade
Destruir à menor réstia todo o passado
Seja por meio de memória, papel queimado
Ou cabalmente, por promessa de saudade
Escutar as direcções de um futuro, oculto
Encontro nos métodos do cerrado silêncio
O conforto da retórica plana, dura e insípida
A cortesia é arma para a lacuna de sentimento
Mas se o faço, desejo evitar, a verdade despida
Factos contundentes, sem fuga obvia
Corto então pedaços vivos do meu mero ego
Que escondo por entre os canaviais do rio
Detrás do rochedo, na água morta, no frio
Todos os momentos, da vergonha, se fui cego
Lamento apenas, não os poder dourar, aos pedaços
Para os poder dar, ou vender…
Destruir à menor réstia todo o passado
Seja por meio de memória, papel queimado
Ou cabalmente, por promessa de saudade
Escutar as direcções de um futuro, oculto
Encontro nos métodos do cerrado silêncio
O conforto da retórica plana, dura e insípida
A cortesia é arma para a lacuna de sentimento
Mas se o faço, desejo evitar, a verdade despida
Factos contundentes, sem fuga obvia
Corto então pedaços vivos do meu mero ego
Que escondo por entre os canaviais do rio
Detrás do rochedo, na água morta, no frio
Todos os momentos, da vergonha, se fui cego
Lamento apenas, não os poder dourar, aos pedaços
Para os poder dar, ou vender…
sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
Desafio ao Soneto
A suprema insolência consiste tão somente do simples acto de usurpação das capacidades de uma classe etária que se torna ultrapassada.
De certo modo, as verdades de um qualquer ancião passam a ser mais claras nas palavras de um infante prodigioso. Por vezes infame prodígio preso na infância de um valor numérico, que o prende a um protocolo de respeito.
Mas se encontradas as linhas mais profundas das mãos e analisado o lavor que por elas passou, o tempo torna-se o superlativo da experiencia.
Dá-se então a revolução do pressuposto em inconstância imediata, o valor premeditado do acto inconsciente está inteiramente no desafio da classe que perde autoridade para os indigentes que mais repudia, os que os impulsionam para diante.
Entre os seguidores de Petarca, que apresentam propostas de parametrização do pensamento, que se predispõe constantemente à raiz da liberdade, existe o saudosismo do que nunca conheceram, mas mesmo assim, publicam.
Aristocles apenas quis parecer maior, adoptou até de si outro titulo e fez-se senhor de matérias que lhe escapavam à compreensão, tivesse negado o nome Platão que másculo lhe pareceu, para ser ninguém, como Diógenes, e hoje, dizer que algo é Platónico, não seria sinonimo requintado de uma recato da mentira e da ocultação, seria um valor da aceitação da necessidade humana de estabelecer ligações.
Nas linhas Cartesianas encontram-se apenas tentações ao facilitismo de uma divisão em elementos mais puros… que pensamento ridiculamente débil, seremos assim tão passíveis de classificação matemática?
Exemplos perfeitos da tentativa geométrica de triangular a posição do inalcançável, a simples compreensão da essência mestra… que apesar de não poder se descrita com palavras em numero finito, aí termina toda a relação com a numérica. Interrogo-me, quase numa inocência satírica, da necessidade da rima, do verso, da alegoria… da técnica… qual a utilidade da racionalização da emoção em estado cru…
A resposta chega-me pela tradição…
Da minha idade, sei apenas que, roubo a cada dia a força de uma geração que veio para morrer. Preparo-me então para um assalto final à minha composição teórica pelos filhos da minha palavra. Um dia, dar-se-á.
Que as ideias vivam através da morte do artista… e se o artista está morto, que fique enterrado, pois assim será lembrado… se reviver, será apenas mais um…
De certo modo, as verdades de um qualquer ancião passam a ser mais claras nas palavras de um infante prodigioso. Por vezes infame prodígio preso na infância de um valor numérico, que o prende a um protocolo de respeito.
Mas se encontradas as linhas mais profundas das mãos e analisado o lavor que por elas passou, o tempo torna-se o superlativo da experiencia.
Dá-se então a revolução do pressuposto em inconstância imediata, o valor premeditado do acto inconsciente está inteiramente no desafio da classe que perde autoridade para os indigentes que mais repudia, os que os impulsionam para diante.
Entre os seguidores de Petarca, que apresentam propostas de parametrização do pensamento, que se predispõe constantemente à raiz da liberdade, existe o saudosismo do que nunca conheceram, mas mesmo assim, publicam.
Aristocles apenas quis parecer maior, adoptou até de si outro titulo e fez-se senhor de matérias que lhe escapavam à compreensão, tivesse negado o nome Platão que másculo lhe pareceu, para ser ninguém, como Diógenes, e hoje, dizer que algo é Platónico, não seria sinonimo requintado de uma recato da mentira e da ocultação, seria um valor da aceitação da necessidade humana de estabelecer ligações.
Nas linhas Cartesianas encontram-se apenas tentações ao facilitismo de uma divisão em elementos mais puros… que pensamento ridiculamente débil, seremos assim tão passíveis de classificação matemática?
Exemplos perfeitos da tentativa geométrica de triangular a posição do inalcançável, a simples compreensão da essência mestra… que apesar de não poder se descrita com palavras em numero finito, aí termina toda a relação com a numérica. Interrogo-me, quase numa inocência satírica, da necessidade da rima, do verso, da alegoria… da técnica… qual a utilidade da racionalização da emoção em estado cru…
A resposta chega-me pela tradição…
Da minha idade, sei apenas que, roubo a cada dia a força de uma geração que veio para morrer. Preparo-me então para um assalto final à minha composição teórica pelos filhos da minha palavra. Um dia, dar-se-á.
Que as ideias vivam através da morte do artista… e se o artista está morto, que fique enterrado, pois assim será lembrado… se reviver, será apenas mais um…
terça-feira, 28 de Julho de 2009
Os Meandros Divagantes do Intelecto
Nem mesmo o sopro sobre a serpente
Ou o rio bravo da audácia, da palavra sem tema
Seguram no menor esforço de, sentido, teorema
O simplismo do nome, Alma, somente
Protótipos do pensamento, fumos, vagueiam
Sem aroma ou corpórea essência, louca
Que exalando sentença, fria, dura, rouca
Existem símbolos que se escapam, meneiam
Possui-se toda a carne, pela força de um grito
Encarna-se todo o vocábulo, profundo interno
Escava-se no ser a razão da procura, o inferno
E quando, então cessa a busca,
Termina o rio na negra barcaça
A prata é pouca, para a carcaça
Só uma peça, baça, de luz fusca…
Acaba-se todo o mito… alma e espírito…
Ou o rio bravo da audácia, da palavra sem tema
Seguram no menor esforço de, sentido, teorema
O simplismo do nome, Alma, somente
Protótipos do pensamento, fumos, vagueiam
Sem aroma ou corpórea essência, louca
Que exalando sentença, fria, dura, rouca
Existem símbolos que se escapam, meneiam
Possui-se toda a carne, pela força de um grito
Encarna-se todo o vocábulo, profundo interno
Escava-se no ser a razão da procura, o inferno
E quando, então cessa a busca,
Termina o rio na negra barcaça
A prata é pouca, para a carcaça
Só uma peça, baça, de luz fusca…
Acaba-se todo o mito… alma e espírito…
sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Questão Anónima
A mente por si só desenvolve gestos estranhos
Que se movem entre os centros oculares, negros
Serenamente…
Da íris para os dedos magros, das mãos mais manchadas
Que na escrita mais complexa mentem descaradamente
Sobre as visões mais anormais, dando-lhe uma cor
Qualquer…
E a verdade… é…
Que tão pura e simplesmente
A morte por vezes… clarifica todos os horizontes…
Morre o erro, a razão, a duvida… a humana transição!
Viagem simplista dos comportamentos, enquanto
Tudo se impele de forma impulsiva adiante da razão
E…
Entre todas as razões, arrasta-se a ilusão…
Que se movem entre os centros oculares, negros
Serenamente…
Da íris para os dedos magros, das mãos mais manchadas
Que na escrita mais complexa mentem descaradamente
Sobre as visões mais anormais, dando-lhe uma cor
Qualquer…
E a verdade… é…
Que tão pura e simplesmente
A morte por vezes… clarifica todos os horizontes…
Morre o erro, a razão, a duvida… a humana transição!
Viagem simplista dos comportamentos, enquanto
Tudo se impele de forma impulsiva adiante da razão
E…
Entre todas as razões, arrasta-se a ilusão…
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