terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sem fuga

Planos desesperados são o recurso do limite
Encontrando-me no limiar do sono profundo
Noutro mundo, segundo considerações que dite
Digo, não por dizer, não, não neste mundo

Saltar então, para a morte ou ficar, morrer
Sobre o meu próprio pé, rezando, sem fé

Sentir que a vida escorrer entre os dedos
Com ou sem visões de uma existência, feliz
Quem o diz?

O vento leva-me contrariado…

Nas pontas dos dedos
Em bicos de pés
Perco equilíbrio
Caio…

Não vejo o fundo, colorido ou pintado!
Apenas sigo o vento cortante do precipício
Escuridão adentro a toda a brida, hospício!

Abro os braços
Estico as pernas

Encaro o vazio
E acelero ainda mais

Na direcção vertical
Perco o medo

Cerro os olhos e
Perco-me na queda!
.…..
Acordo… apenas um sonho…

Apenas, SOS.


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Ciclo de poemas dedicados ao DPSM

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Obliterações mudas

Quando se tenta por fé ou vontade
Destruir à menor réstia todo o passado
Seja por meio de memória, papel queimado
Ou cabalmente, por promessa de saudade

Escutar as direcções de um futuro, oculto

Encontro nos métodos do cerrado silêncio
O conforto da retórica plana, dura e insípida
A cortesia é arma para a lacuna de sentimento
Mas se o faço, desejo evitar, a verdade despida

Factos contundentes, sem fuga obvia

Corto então pedaços vivos do meu mero ego
Que escondo por entre os canaviais do rio
Detrás do rochedo, na água morta, no frio
Todos os momentos, da vergonha, se fui cego

Lamento apenas, não os poder dourar, aos pedaços

Para os poder dar, ou vender…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Desafio ao Soneto

A suprema insolência consiste tão somente do simples acto de usurpação das capacidades de uma classe etária que se torna ultrapassada.
De certo modo, as verdades de um qualquer ancião passam a ser mais claras nas palavras de um infante prodigioso. Por vezes infame prodígio preso na infância de um valor numérico, que o prende a um protocolo de respeito.
Mas se encontradas as linhas mais profundas das mãos e analisado o lavor que por elas passou, o tempo torna-se o superlativo da experiencia.
Dá-se então a revolução do pressuposto em inconstância imediata, o valor premeditado do acto inconsciente está inteiramente no desafio da classe que perde autoridade para os indigentes que mais repudia, os que os impulsionam para diante.
Entre os seguidores de Petarca, que apresentam propostas de parametrização do pensamento, que se predispõe constantemente à raiz da liberdade, existe o saudosismo do que nunca conheceram, mas mesmo assim, publicam.
Aristocles apenas quis parecer maior, adoptou até de si outro titulo e fez-se senhor de matérias que lhe escapavam à compreensão, tivesse negado o nome Platão que másculo lhe pareceu, para ser ninguém, como Diógenes, e hoje, dizer que algo é Platónico, não seria sinonimo requintado de uma recato da mentira e da ocultação, seria um valor da aceitação da necessidade humana de estabelecer ligações.
Nas linhas Cartesianas encontram-se apenas tentações ao facilitismo de uma divisão em elementos mais puros… que pensamento ridiculamente débil, seremos assim tão passíveis de classificação matemática?
Exemplos perfeitos da tentativa geométrica de triangular a posição do inalcançável, a simples compreensão da essência mestra… que apesar de não poder se descrita com palavras em numero finito, aí termina toda a relação com a numérica. Interrogo-me, quase numa inocência satírica, da necessidade da rima, do verso, da alegoria… da técnica… qual a utilidade da racionalização da emoção em estado cru…
A resposta chega-me pela tradição…


Da minha idade, sei apenas que, roubo a cada dia a força de uma geração que veio para morrer. Preparo-me então para um assalto final à minha composição teórica pelos filhos da minha palavra. Um dia, dar-se-á.

Que as ideias vivam através da morte do artista… e se o artista está morto, que fique enterrado, pois assim será lembrado… se reviver, será apenas mais um…

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os Meandros Divagantes do Intelecto

Nem mesmo o sopro sobre a serpente
Ou o rio bravo da audácia, da palavra sem tema
Seguram no menor esforço de, sentido, teorema
O simplismo do nome, Alma, somente


Protótipos do pensamento, fumos, vagueiam
Sem aroma ou corpórea essência, louca
Que exalando sentença, fria, dura, rouca
Existem símbolos que se escapam, meneiam

Possui-se toda a carne, pela força de um grito
Encarna-se todo o vocábulo, profundo interno
Escava-se no ser a razão da procura, o inferno

E quando, então cessa a busca,
Termina o rio na negra barcaça
A prata é pouca, para a carcaça
Só uma peça, baça, de luz fusca…

Acaba-se todo o mito… alma e espírito…

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Questão Anónima

A mente por si só desenvolve gestos estranhos
Que se movem entre os centros oculares, negros
Serenamente…

Da íris para os dedos magros, das mãos mais manchadas
Que na escrita mais complexa mentem descaradamente
Sobre as visões mais anormais, dando-lhe uma cor
Qualquer…

E a verdade… é…

Que tão pura e simplesmente
A morte por vezes… clarifica todos os horizontes…

Morre o erro, a razão, a duvida… a humana transição!

Viagem simplista dos comportamentos, enquanto
Tudo se impele de forma impulsiva adiante da razão

E…

Entre todas as razões, arrasta-se a ilusão…

terça-feira, 2 de junho de 2009

Crónicas do fumo

Arde mais um cigarro...
Mas o fumo que se esvai, leve, vão, não leva só o ar...

A minha alma voa, corpo a dentro, sopro a fora, quente…
Do mesmo e sensual modo em que as ondas se meneiam...
Cinza que se agarra à chama numa crepitante inconstância…
Sem força... sem esforço... sem peso... ardo lenta e passivamente...
E o meu alento sobe... e em “nada” se torna, de novo, talvez...
Sendo imagem, sendo cheiro e sabor apenas por breve circunstancia...

Sendo vapor que desaparece e deixa as cinzas do meu corpo...
Sendo apenas um intervalo tóxico, um fumo inebriante,

Por um instante, breve... a definição encontra-se…

Perturbante…

Na conclusão… de que nada sou…

Nada mais que...

O próprio cigarro entre meus dedos…

sábado, 23 de maio de 2009



Para breve... espero eu...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nunca me mintas

Se um dia a verdade te trair as palavras
As mais simples que os teus lábios soltarem
Pelo fundamento mais imerso na escuridão…
Por medo
Por mera distracção
Falta da minha atenção… que sei eu!

Mesmo que por vezes penses que foram tolos sonhos
Tão só e apenas…
Diz-me…
Conta-me…
Revela tudo…

Não suporto os segredos ancorados nas tuas pupilas
Espreitando… no negro centro da íris…

Se não souberes mais como falar… GRITA!!!

Como as guitarras eléctricas na minha mente!
Como os tiros escondidos na batida da musica!
Como uma porta que bate ao fechar nas costas!

Se me assustares… acordarei…
Se me magoares… aprenderei…
Se eu fugir… não sei… se voltarei…
Se me sinto traído… morres para mim…

Diz-me então… sempre… antes que eu parta de vez,
Na noite fria, em busca de estrelas no fundo do poço…
Procurando no abismo o reflexo de uma luz
Que me carregue…

Diz-me sempre…
A verdade mais pura…

Naquilo que sentes…

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Diabo anda nas ruas da cidade

Eu hoje vi o Demo passear-se nas ruas da cidade.
Trazia atadas aos pés duas crianças e meia, que arrastava pelas veredas de terra batida e nos paralelos de granito.
As duas crianças e meia, vendadas e atadas aos pés do Belzebu, não choravam, não riam, somente e apenas gemiam em tom de cantiga de embalar, ao tom do próprio andar dos negros pés que as pisavam e arrastavam.
Quando eu, e só eu, vi as duas crianças e meia batendo na estrada aos pés de Lúcifer, gritei bem alto, até que a voz me traiu: “Salvem as crianças que são levadas nos pés do Demónio!!! Alguém as liberte!!!”
… Todos me olharam, na minha figura… alguns riram… outros falaram… “…psh psh psh… é louco, deixa-o… psh psh psh… não ligues…”
…Até as crianças, todas as duas e meia que eram, me olharam de espanto, como se as acusasse de crimes contra a lei de Deus, quando eu só as queria salvar…
As duas crianças e meia… tinham nomes, apesar de pequenas… tinham nomes!... e desses seus nomes, sei apenas o primeiro de cada uma das duas e meia… “Orgulho”, “Inveja” e “Ira”…
Vi então, escrito nas folhas de uma arvore, “Tu és do dono do Inferno!” e soube então, que todas elas por inteiro, as duas crianças e meia, eram filhos da minha dor, órfãos da minha mente decadente, partes do ser que renego constantemente… que nem eu quero salvar… e se o Diabo se diverte, levando-as aos seus pés pelas ruas da calçada, é somente porque os pecados que cometi, por pura e mera estupidez, são recreio para o fogo das línguas afiadas, que me consomem os pensamentos sem saírem das bocas que as carregam… matam-me o pensamento a cada dia… com esses pensamentos…
Dói-me então… todo o espírito… que não sei se quero, salvar ou deixar ir… as duas crianças e meia atadas aos pés do Demónio…

terça-feira, 12 de maio de 2009

Volto em breve com novos textos...


Beijos e Abraços...