Tenho olhos como um lobo
De luz vermelha, cor da alvorada
Vejo no breu as horas no relógio gasto
Poeira nas arestas, vidraça quebrada
De números caídos, 45 da noite
E penso em uivar…
Tenho os pés de um viajante
Calos que desceram o Norte, até Poente
Ando pelo escuro seguindo apenas o cheiro
Do orvalho que me diz tão claramente
Que no relógio são 67 da madrugada
E penso em me esconder…
Tenho numa alma passageira
Memórias que cortam qual faca amolada
Sinto-me então, calma, conscientemente
Absorver a primeira luz que raia abrasada
Em muito tempo, são 83 da manhã
E recordo-me…
O meu lugar não é aqui…
E não dormi mais esta noite…
Pois sem que desse conta, estou já
No dia de amanhã…
______________________________
Nota: "45 da noite" é uma figura de estilo criada originalmente por António Lobo Antunes, que serve o proposito de codificar as horas, no entanto basta que se leia, 4 horas e o numero 5, que corresponde a 25 minutos para obter a hora. Os restantes numeros seguem a mesma linha de pensamento.
sábado, 17 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cigarrilha em Vão de Escada
Seguro entre os dedos defuntos
O fumo da soturna planta negra
E saboreio, à velocidade do fogo
O lento e finito prazer no vício
Solto entre os lábios silenciosos
Um sopro do mal menor na morte
Para me prender um pouco mais
À vida… na paz de não cogitar…
Vejo no tempo, esvanecer o ar apagado
O único indício no aroma de cigarrilha
E em vão, fico uma vez mais
Encostado à parede da tua porta…
Como um nada, com tudo para dizer…
Mas, sem coragem… para o fazer…
O fumo da soturna planta negra
E saboreio, à velocidade do fogo
O lento e finito prazer no vício
Solto entre os lábios silenciosos
Um sopro do mal menor na morte
Para me prender um pouco mais
À vida… na paz de não cogitar…
Vejo no tempo, esvanecer o ar apagado
O único indício no aroma de cigarrilha
E em vão, fico uma vez mais
Encostado à parede da tua porta…
Como um nada, com tudo para dizer…
Mas, sem coragem… para o fazer…
quinta-feira, 15 de abril de 2010
A Cadeira no Tecto - Sentado no Cansaço
Sentado, neste solitário quadro
Sob as tintas, que cobrem a obra, Singela
De um sistema de organização, Único
Em constante, transição da escrita
Sentado, nesta pagina branca
Coloco letras a lado das minhas dores
Sem proveniência clara, definida
Em tributo, aos Capitães do Rio
Sentado, sobre o leme desta barca
Solto, os dedos das amarras
De uma terra seca, poeira, pobre
Em derrota, do meu comando
Sentado, nos tapetes de Esparta vencida
Liberta-se a fúria do grito, na guerra
Sem que se escute o som, do choro
Em que memórias…
De quem queria apenas…
Ficam perdidas, então, no silencio…
As ideias de um homem…
Sentado no escuro...
Sob as tintas, que cobrem a obra, Singela
De um sistema de organização, Único
Em constante, transição da escrita
… não lida…
Para… a palavra…
Sentado, nesta pagina branca
Coloco letras a lado das minhas dores
Sem proveniência clara, definida
Em tributo, aos Capitães do Rio
… que corre…
Para onde… não sei…Sentado, sobre o leme desta barca
Solto, os dedos das amarras
De uma terra seca, poeira, pobre
Em derrota, do meu comando
… dissipa-se…
Para quê… não vi…Sentado, nos tapetes de Esparta vencida
Liberta-se a fúria do grito, na guerra
Sem que se escute o som, do choro
Em que memórias…
De quem queria apenas…
… apenas…
… para nada…
… para tudo…
Ser guia do seu pequeno mundo…Ficam perdidas, então, no silencio…
As ideias de um homem…
Sentado no escuro...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Segredos que Matam
Silêncios escuros vestidos de ar fino
O mar sopra toda a luz nos meus olhos
E ficam as gotas de sal que chegam…
Como se morte fosse mais uma…
A Cruz da simpatia mais nua, o hino
Que me queima as mãos impotentes
Tremem-me nos ouvidos as palavras
Como se fossem varejeiras
E eu tenho apenas por afecto, destino
Mais uma corda branca sobre o armário
Feita do linho mais áspero, estopa crua
Para no final te poder cantar,
A ultima melodia…
O mar sopra toda a luz nos meus olhos
E ficam as gotas de sal que chegam…
aos lábios quentes
Como se morte fosse mais uma…
noite sem estrelas
A Cruz da simpatia mais nua, o hino
Que me queima as mãos impotentes
Tremem-me nos ouvidos as palavras
as mais carinhosas
Como se fossem varejeiras
sem destino, ao acaso
E eu tenho apenas por afecto, destino
Mais uma corda branca sobre o armário
Feita do linho mais áspero, estopa crua
que tu mordeste um dia
Para no final te poder cantar,
balançando da oliveira…
A ultima melodia…
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Manual do Cangalheiro I
I capitulo
Teria apenas metade da idade e do tamanho que lhe fazia falta para ser um homem, quando seu pai, em toda a imponência daquela barba antiga e cheia de sabedoria, lhe entregou nas mãos um balde cheio de pregos tortos, ferrugentos, partidos. Ao receber da mão negra de seu pai aquele balde, não pode suste-lo nem nos braços, caindo-lhe nos pés como um peso morto, quebrando 2 dedos pequenos do pé direito do menino. Antes que o primeiro som saísse dos lábios da criança seu pai encarou-o, pousando um joelho na terra como faziam os cavaleiros de outrora e pegando-lhe no rosto rogou-lhe que não chorasse. De susto, apenas uma lágrima se verteu, mas nem um som se ouviu daquela boca escondida entre duas faces rosadas e ainda protegidas dos rigores do inverno.
“Vais entregar-me este balde cheio de pregos, quando estiverem todos direitos, como novos, ou nunca serás um homem” – Foi a frase fatídica que passou entre os pelos frisados do bigode farto e da pêra esguedelhada, daquele pai… daquele forte e austero pai.
Dias depois, manco e dorido mas não queixoso, rolou o cepo mais redondo que encontrou na pilha dos cavacos junto à corte das cabras, encontrou debaixo do balcão o sitio mais abrigado do vento para o colocar de pé e puxando do seu banco de ordenha favorito, aquele o avô lhe fez pelos anos, bordado e pintado de verde, sentou-se e encarou em terror o balde que cheio de pregos ferrugentos lhe parecia saído do próprio inferno.
Tomou na mão o seu martelinho, o único que a suas mãos pequenas abrangiam para levantar no ar e na outra tomou o primeiro prego, escolhendo de entre todos os que via ao cimo do balde, o mais torto. Elevou o martelinho no ar o mais alto que pode, tal como o pai fazia quando pregava as pranchas dos carros que fazia por encomenda, e… «Ffuuhh» … «Trac!». Sem saber como, sem conseguir perceber ou pensar sobre isso, uma intensa dor tomou-lhe todos os sentidos, uma dor igual à que lhe tomou de rajada os olhos e a boca quando o balde se lhe abateu nos pés e os seus dedos estalaram. Quebrou o polegar… no resalto que o martelinho fez naquele prego torto. E não era um prego qualquer, era um prego de ripas, dos mais duros… 7 centímetros de ferro torcido que fizeram o martelinho voar na direcção do pobre dedo!
Acorreu-lhe à memória nesse exacto momento, o mesmo modo como seu pai disse tão alto como um trovão “Maria! Acode aqui ao garoto! Tenho de trabalhar…” e sua mãe saiu pela porta esfregando as mãos num pano de linho velho. Cheirava a carne guisada e fumo da lareira aquela mãe que ele tanto amava e que era a única mulher que sabia por mulher, para além de casa, apenas havia visto outras mulheres na igreja, acompanhadas de seus homens e de outros meninos como ele, por vezes de meninas que se vestiam de um modo muito diferente do dele e seu pai dizia serem mulheres pequeninas. E foi essa mulher da sua vida, que o tomou nos braços depois se dar conta do sucedido e o levou no seu colo para dentro de casa.
Naquele momento os seus olhos estavam vidrados sobre o dedo que latejava mas parecia já não doer, apesar de vermelho e de parecer ferver de dentro para fora, pensar nos carinhos e no cheiro confortante da mãe fez com que não chorasse e se distraísse de toda a dor. Levantou-se então, arrumou com a mão que ainda estava sã o seu banco, colocou cuidadosamente por cima deste o martelinho e o malvado prego mas mais tarde acertar contas com o mesmo. Dirigiu-se coxeando para a porta de casa e nunca acaso, dá de caras com sua mãe que vinha a procurar por ele. “Olhe, minha mãe. Martelei este dedo sem querer…” e foi, naquele momento em que sua mãe lhe agarrou na mão com aquelas mãos frias de queijeira mas com o olhar mais terno e preocupado do mundo, que o menino se desfez em lágrimas silenciosas e soluços abafados. Sua mãe concluiu, pelos anos de azares que em todas as casas de aldeia se abatem, que o osso estava magoado mas não quebrado na totalidade. Deu então ao seu rebento, um pouco do seu regaço enquanto ambos estavam sentados em frente ao lume brando na lareira e este foi talvez, o ultimo pedaço de colo que esta criança teve.
No dia seguinte, de dedo enfaixado com uma tira comprida de tecido, cortada de uma camisa velha que seu pai usava para limpar as mãos após o trabalho, encarou o cepo, ainda quieto e firme tal como era seu propósito quando para isso foi escolhido, olhou o seu banco… e aquele malvado prego. Decidiu então sentar-se e tomar cuidado ao tentar de novo. O medo levou-o a começar devagarinho, com pequenas marteladas, ligeiras, a medo, depois mais rápidas, mas fraquinhas… Fracas demais, medrosas demais as marteladas para que o prego as sentisse sequer, não cedendo nem uma decima do centímetro nos seus meandros.
Encarando o prego, sentiu pela primeira vez frustração, como jamais havia sentido, nem mesmo quando os seus cabritos favoritos não vingavam de pequenos e o pai os enterrava debaixo da macieira do quintal, nem mesmo isso. O prego troçava daquele menino… e era ainda, de tantos, o primeiro.
Teria apenas metade da idade e do tamanho que lhe fazia falta para ser um homem, quando seu pai, em toda a imponência daquela barba antiga e cheia de sabedoria, lhe entregou nas mãos um balde cheio de pregos tortos, ferrugentos, partidos. Ao receber da mão negra de seu pai aquele balde, não pode suste-lo nem nos braços, caindo-lhe nos pés como um peso morto, quebrando 2 dedos pequenos do pé direito do menino. Antes que o primeiro som saísse dos lábios da criança seu pai encarou-o, pousando um joelho na terra como faziam os cavaleiros de outrora e pegando-lhe no rosto rogou-lhe que não chorasse. De susto, apenas uma lágrima se verteu, mas nem um som se ouviu daquela boca escondida entre duas faces rosadas e ainda protegidas dos rigores do inverno.
“Vais entregar-me este balde cheio de pregos, quando estiverem todos direitos, como novos, ou nunca serás um homem” – Foi a frase fatídica que passou entre os pelos frisados do bigode farto e da pêra esguedelhada, daquele pai… daquele forte e austero pai.
Dias depois, manco e dorido mas não queixoso, rolou o cepo mais redondo que encontrou na pilha dos cavacos junto à corte das cabras, encontrou debaixo do balcão o sitio mais abrigado do vento para o colocar de pé e puxando do seu banco de ordenha favorito, aquele o avô lhe fez pelos anos, bordado e pintado de verde, sentou-se e encarou em terror o balde que cheio de pregos ferrugentos lhe parecia saído do próprio inferno.
Tomou na mão o seu martelinho, o único que a suas mãos pequenas abrangiam para levantar no ar e na outra tomou o primeiro prego, escolhendo de entre todos os que via ao cimo do balde, o mais torto. Elevou o martelinho no ar o mais alto que pode, tal como o pai fazia quando pregava as pranchas dos carros que fazia por encomenda, e… «Ffuuhh» … «Trac!». Sem saber como, sem conseguir perceber ou pensar sobre isso, uma intensa dor tomou-lhe todos os sentidos, uma dor igual à que lhe tomou de rajada os olhos e a boca quando o balde se lhe abateu nos pés e os seus dedos estalaram. Quebrou o polegar… no resalto que o martelinho fez naquele prego torto. E não era um prego qualquer, era um prego de ripas, dos mais duros… 7 centímetros de ferro torcido que fizeram o martelinho voar na direcção do pobre dedo!
Acorreu-lhe à memória nesse exacto momento, o mesmo modo como seu pai disse tão alto como um trovão “Maria! Acode aqui ao garoto! Tenho de trabalhar…” e sua mãe saiu pela porta esfregando as mãos num pano de linho velho. Cheirava a carne guisada e fumo da lareira aquela mãe que ele tanto amava e que era a única mulher que sabia por mulher, para além de casa, apenas havia visto outras mulheres na igreja, acompanhadas de seus homens e de outros meninos como ele, por vezes de meninas que se vestiam de um modo muito diferente do dele e seu pai dizia serem mulheres pequeninas. E foi essa mulher da sua vida, que o tomou nos braços depois se dar conta do sucedido e o levou no seu colo para dentro de casa.
Naquele momento os seus olhos estavam vidrados sobre o dedo que latejava mas parecia já não doer, apesar de vermelho e de parecer ferver de dentro para fora, pensar nos carinhos e no cheiro confortante da mãe fez com que não chorasse e se distraísse de toda a dor. Levantou-se então, arrumou com a mão que ainda estava sã o seu banco, colocou cuidadosamente por cima deste o martelinho e o malvado prego mas mais tarde acertar contas com o mesmo. Dirigiu-se coxeando para a porta de casa e nunca acaso, dá de caras com sua mãe que vinha a procurar por ele. “Olhe, minha mãe. Martelei este dedo sem querer…” e foi, naquele momento em que sua mãe lhe agarrou na mão com aquelas mãos frias de queijeira mas com o olhar mais terno e preocupado do mundo, que o menino se desfez em lágrimas silenciosas e soluços abafados. Sua mãe concluiu, pelos anos de azares que em todas as casas de aldeia se abatem, que o osso estava magoado mas não quebrado na totalidade. Deu então ao seu rebento, um pouco do seu regaço enquanto ambos estavam sentados em frente ao lume brando na lareira e este foi talvez, o ultimo pedaço de colo que esta criança teve.
No dia seguinte, de dedo enfaixado com uma tira comprida de tecido, cortada de uma camisa velha que seu pai usava para limpar as mãos após o trabalho, encarou o cepo, ainda quieto e firme tal como era seu propósito quando para isso foi escolhido, olhou o seu banco… e aquele malvado prego. Decidiu então sentar-se e tomar cuidado ao tentar de novo. O medo levou-o a começar devagarinho, com pequenas marteladas, ligeiras, a medo, depois mais rápidas, mas fraquinhas… Fracas demais, medrosas demais as marteladas para que o prego as sentisse sequer, não cedendo nem uma decima do centímetro nos seus meandros.
Encarando o prego, sentiu pela primeira vez frustração, como jamais havia sentido, nem mesmo quando os seus cabritos favoritos não vingavam de pequenos e o pai os enterrava debaixo da macieira do quintal, nem mesmo isso. O prego troçava daquele menino… e era ainda, de tantos, o primeiro.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Desculpa, se te digo isto
Devia ter dado o sinal de alerta no sino verde
Naquele dia de guerra intensa, teria o teu apoio
Mas decidi servir-me de um copo de miséria
E perdi o amor que trazia num cubo de gelo, ao peito
Desculpa-me… se agora digo isto, do coração…
As sombras na parede trepam-me pelos olhos
E encontro-me a sonhar, no regresso de um dia
Em que a lua vai estar vermelha, nuvens azuis…
Mas fico aqui a esperar-te junto ao telefone
Desculpa-me… se tarde, digo isto, do coração…
Vou à rua para comprar mais um bilhete
Para as corridas loucas da paixão descapotável
Sabendo que os travões estão avariados, mas…
Talvez deva ficar por aqui neste caminho…
Desculpa-me… se te disser isto, do coração…
E a lagarta sobe pela cerejeira despida, sem flor
Enquanto sente vontade de ter as costas na parede
Instável, sirvo-me de uma dose dupla de simpatia
Para que sintam tristeza, na minha insegurança…
Desculpa-me… se digo isto, sem coração…
Mulheres, douradas, escuras, todas me bateram
Para enterrar mais fundo o escopro, no meu coração
Mas nunca foram, nada mais que apostrofes…
Traços – espaços de tempo – em mim…
Desculpa-me… se te disse isto, no meu coração…
E não te sei dizer, se é uma sirene ou corneta
Mas toca-me dentro da cabeça uma musica,
Um aviso que a estrada é um perigo, mortal
E sei, que gostei mais de ti
Que as palavras podem algum dia dizer…
Desculpa-me… se nunca te digo isto, do coração…
Naquele dia de guerra intensa, teria o teu apoio
Mas decidi servir-me de um copo de miséria
E perdi o amor que trazia num cubo de gelo, ao peito
Desculpa-me… se agora digo isto, do coração…
As sombras na parede trepam-me pelos olhos
E encontro-me a sonhar, no regresso de um dia
Em que a lua vai estar vermelha, nuvens azuis…
Mas fico aqui a esperar-te junto ao telefone
Desculpa-me… se tarde, digo isto, do coração…
Vou à rua para comprar mais um bilhete
Para as corridas loucas da paixão descapotável
Sabendo que os travões estão avariados, mas…
Talvez deva ficar por aqui neste caminho…
Desculpa-me… se te disser isto, do coração…
E a lagarta sobe pela cerejeira despida, sem flor
Enquanto sente vontade de ter as costas na parede
Instável, sirvo-me de uma dose dupla de simpatia
Para que sintam tristeza, na minha insegurança…
Desculpa-me… se digo isto, sem coração…
Mulheres, douradas, escuras, todas me bateram
Para enterrar mais fundo o escopro, no meu coração
Mas nunca foram, nada mais que apostrofes…
Traços – espaços de tempo – em mim…
Desculpa-me… se te disse isto, no meu coração…
E não te sei dizer, se é uma sirene ou corneta
Mas toca-me dentro da cabeça uma musica,
Um aviso que a estrada é um perigo, mortal
E sei, que gostei mais de ti
Que as palavras podem algum dia dizer…
Desculpa-me… se nunca te digo isto, do coração…
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
A Morte No Artista
A configuração de um relâmpago, em ruptura
É nada mais que uma necessidade mecânica
De ligar a terra ao firmamento, rapidamente
Numa mínima fracção da coerência dinâmica
O tempo sofre uma explosão, trovão, tortura
E penso no seu brilho:
E na maior irregularidade…
Perco anos embrenhado na sofisma, rochedo
Que tento talhar apenas com os dedos nus
Sem noção de que o céu, tão obviamente
Está vedado ao escultor dos poemas crus
Pois se escrevo é só por cisma, só por medo
De um dia encontrar:
Pois minhas palavras não cortam como clarão
Minhas ideias não iluminam olhos alheios
E o rochedo, será sempre a consciência, ou não
Que me pesa e me sufoca… mas, no fim…
É nada mais que uma necessidade mecânica
De ligar a terra ao firmamento, rapidamente
Numa mínima fracção da coerência dinâmica
O tempo sofre uma explosão, trovão, tortura
E penso no seu brilho:
“Mesmo que me ignorem todos os defeitos
Ainda assim não estarei próximo de perfeito...”
E na maior irregularidade…
Perco anos embrenhado na sofisma, rochedo
Que tento talhar apenas com os dedos nus
Sem noção de que o céu, tão obviamente
Está vedado ao escultor dos poemas crus
Pois se escrevo é só por cisma, só por medo
De um dia encontrar:
“Aqui jaz uma Mente Obscura…
Que cegou e morreu, em busca de uma luz
Para dar mais brilho à sua Obscura Mente…”
Pois minhas palavras não cortam como clarão
Minhas ideias não iluminam olhos alheios
E o rochedo, será sempre a consciência, ou não
Que me pesa e me sufoca… mas, no fim…
Me dá razão!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Valete de espadas
Lançadas cartas sobre o verde da mesa, e
Em tom de tiros de bombarda, arma e morte
Uma-a-uma, tal como as balas, ditam a sorte
Ao lado do rei, na corte, está o mártir...
Cavaleiro, vingador magno!
Os motivos de procurar o passado, que
Encontro no acto de egoísta de partir
Fez de mim um bastardo quase poeta
Que nunca há-de atingir a ansiada meta
Lançada seta, ao peito...
Ou espada, rainha da vontade!
Pois sou protector, lenda, guerreiro, temor!
Quero crer que esta dor seja apenas metade,
Pois cortei em dois a fonte do meu amor...
...
O céu perdeu então...toda a cor...
...
Hoje eu sou como carta perdida
De um jogo acabado, na minha ausência...
Uma valete de Espadas marcado a ferro...
Que pediu para ser rejeitado...
No doloroso jogo do amor...
Em tom de tiros de bombarda, arma e morte
Uma-a-uma, tal como as balas, ditam a sorte
Ao lado do rei, na corte, está o mártir...
Cavaleiro, vingador magno!
Os motivos de procurar o passado, que
Encontro no acto de egoísta de partir
Fez de mim um bastardo quase poeta
Que nunca há-de atingir a ansiada meta
Lançada seta, ao peito...
Ou espada, rainha da vontade!
Pois sou protector, lenda, guerreiro, temor!
Quero crer que esta dor seja apenas metade,
Pois cortei em dois a fonte do meu amor...
...
O céu perdeu então...toda a cor...
...
Hoje eu sou como carta perdida
De um jogo acabado, na minha ausência...
Uma valete de Espadas marcado a ferro...
Que pediu para ser rejeitado...
No doloroso jogo do amor...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A morte do rouxinol
Assobiava, só
Quando uma lágrima…
Me interrompeu os lábios
Fico aqui, somente
Pensando,
Não no que foi,
Nem o que é
Mas…
O que não poderá ser…
Calou-se a melodia,
Que trazia no sopro
Estou… então, calado
Amanha, o dia será outro…
Quando uma lágrima…
Me interrompeu os lábios
Fico aqui, somente
Pensando,
Não no que foi,
Nem o que é
Mas…
O que não poderá ser…
Calou-se a melodia,
Que trazia no sopro
Estou… então, calado
Amanha, o dia será outro…
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Confissão da Lua
Na treva arcaica do médio tempo
Nocturno…
Em que a divindade se manifesta
No homem, na sua triste condição…
Subsiste um exíguo deus pagão
Que talha com sortilégios de luz
No olhar do ser singelo, tirania
A ambição…
A soberba soberania…
Sob o clarão nocturno e esférico
D’um astro fadado ao perpetuo ciclo
Carregado do desejo oculto, amante
Fixam-se, mutuamente, bocas sedentas
Do tacto ardente, do afecto quente
Na paixão… que mente…
Na completa loucura…
Incendeia-se o querer, mais que tudo
O grito torna-se mudo, olhar, ver, tudo!
…
Nada…
…
Carvão escravo da mão insana
Pinta, pinta… pinta, PINTA!!!
Risca-me essa parede banhada da claridade
Que se apague o alvo tom da mocidade
Pois apenas sonhei ter sonhado com ela
Nos meus braços… toda… ela…
E afinal, nem a tive, nem a perdi
Foi apenas um vulto, nem sei, se senti…
Era a Lua, na minha parede… era! ERA!
Que eu queria escrever, com meus dedos
Toda ela! Essa lua branca, como a pele
DELA!
…
Mas…
Só queria…
Confessar, baixinho… meus tristes medos…
Acabei então… aqui, caído neste chão…
Com os moveis, a serem como penedos…
Esperando que a Lua morra,
Para que possa dormir, aqui
Neste quarto sem cortinas…
Onde espero, sentado, por ti…
Nocturno…
Em que a divindade se manifesta
No homem, na sua triste condição…
Subsiste um exíguo deus pagão
Que talha com sortilégios de luz
No olhar do ser singelo, tirania
A ambição…
A soberba soberania…
Sob o clarão nocturno e esférico
D’um astro fadado ao perpetuo ciclo
Carregado do desejo oculto, amante
Fixam-se, mutuamente, bocas sedentas
Do tacto ardente, do afecto quente
Na paixão… que mente…
Na completa loucura…
Incendeia-se o querer, mais que tudo
O grito torna-se mudo, olhar, ver, tudo!
…
Nada…
…
Carvão escravo da mão insana
Pinta, pinta… pinta, PINTA!!!
Risca-me essa parede banhada da claridade
Que se apague o alvo tom da mocidade
Pois apenas sonhei ter sonhado com ela
Nos meus braços… toda… ela…
E afinal, nem a tive, nem a perdi
Foi apenas um vulto, nem sei, se senti…
Era a Lua, na minha parede… era! ERA!
Que eu queria escrever, com meus dedos
Toda ela! Essa lua branca, como a pele
DELA!
…
Mas…
Só queria…
Confessar, baixinho… meus tristes medos…
Acabei então… aqui, caído neste chão…
Com os moveis, a serem como penedos…
Esperando que a Lua morra,
Para que possa dormir, aqui
Neste quarto sem cortinas…
Onde espero, sentado, por ti…
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