Nas direcções mais extremas, pontos perdidos
Sem orientação que valha aos meus sentidos
Procuro encontrar o que há muito está disperso
Pelo ar morto do calor infernal, um olhar imerso
No vazio momento final…
Que não é de época, não se trata de ter mais tempo
Mas resulta tudo na crónica falta de oportunidades
E em cálculos frios para tentar esquecer as saudades
Chego então a conclusões, numa pedra, no chão, sento
Escuto… scchhh... Faz-me silencio…
No céu gelado da noite de ontem, vi finalmente
Que por mais que agrupe, não pode ser “Somente”
E a busca incessante que uma resposta única permite
É parte do problema, não se pode tratar com limite
De problemas intemporais, do sentir…
Tudo se trata de encontrar os meus pontos cardiais
Quando os caminhos são demais, desde que saiba
Que nunca importa se sigo para Sul… e muito mais
Que o para lá chegar, parti do norte… e tenho como
Regressar… um dia…
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
The Vicious Five
Tributo a Carlos Paião
Zero, a zero, a zero, vai o jogo recomeçar
Já se sente o desespero, precisamos de empatar
Azeda, azeda, azeda, a derrota é de amargar
Zero a zero é labareda, não perdemos sem ganhar
Zero a zero, grão a grão, de nada em nada
Vais erguendo a barricada que há um zero a defender
E são ferrolhos, tira-olhos, tira-teimas,
Correrias, saltos queimas que há um zero a perceber
Há zero mães, zero alarmes, cima-abaixo
Jogo branco e o berbicacho e risadas, volta atrás
Há um vazio revirando regelando,
Passa o tempo sendo brando, fazendo zero, tanto faz
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Depois, depois, depois, vai dar muito que falar
Nulidades ou heróis, todos têm que velar
Zero, a zero, a zero, há-de o jogo terminar
Pra’ dizer sem exagero, “foi a zero, não há azar”
Zero a zero, repartido, por outro zero
Já não espero e acelero que se caio também cai
A zero à hora, vou de roda e recupero
Quero dar a volta ao zero para ver aonde vai
Com mais encores fazem zero apologia
Muitos zeros é mania, zero a zero é pequenez
Duas noitadas, são as lógicas maradas
Desempate ou desempatas, empatamos outra vez
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
3x
__________________________________
É impossível ganhar o jogo…
Tributo a Carlos Paião
Zero, a zero, a zero, vai o jogo recomeçar
Já se sente o desespero, precisamos de empatar
Azeda, azeda, azeda, a derrota é de amargar
Zero a zero é labareda, não perdemos sem ganhar
Zero a zero, grão a grão, de nada em nada
Vais erguendo a barricada que há um zero a defender
E são ferrolhos, tira-olhos, tira-teimas,
Correrias, saltos queimas que há um zero a perceber
Há zero mães, zero alarmes, cima-abaixo
Jogo branco e o berbicacho e risadas, volta atrás
Há um vazio revirando regelando,
Passa o tempo sendo brando, fazendo zero, tanto faz
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Depois, depois, depois, vai dar muito que falar
Nulidades ou heróis, todos têm que velar
Zero, a zero, a zero, há-de o jogo terminar
Pra’ dizer sem exagero, “foi a zero, não há azar”
Zero a zero, repartido, por outro zero
Já não espero e acelero que se caio também cai
A zero à hora, vou de roda e recupero
Quero dar a volta ao zero para ver aonde vai
Com mais encores fazem zero apologia
Muitos zeros é mania, zero a zero é pequenez
Duas noitadas, são as lógicas maradas
Desempate ou desempatas, empatamos outra vez
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
Há zero a zero, há cem a cem
Com zero a zero, vai tudo bem
3x
__________________________________
É impossível ganhar o jogo…
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
São jogos de gelo e sangue
Brincadeiras quase inocentes, do perder e não encontrar
Do receber sem poder dar, assuntos demasiado sérios
Que fomentam mentes desocupadas nas palavras vãs
Mas choram então, as almas que já nem o dizem sequer
O desejo de arrancar a dor ao mundo, nem que seja assim
Pela força das mãos, que estalam num pobre rosto perdido
Entre lágrimas e céu negro, olhos cor do sangue mais vivo
Já nem as lágrimas se aproximam para ver, tanta que é a dor
E tu dizes-me tão simplesmente, que já não sabes mais
Se é sangue que te corre dentro da cabeça dorida, carregada
Ou se é gelo, que te pesa, te corta, te mata toda a alma…
Do receber sem poder dar, assuntos demasiado sérios
Que fomentam mentes desocupadas nas palavras vãs
Mas choram então, as almas que já nem o dizem sequer
O desejo de arrancar a dor ao mundo, nem que seja assim
Pela força das mãos, que estalam num pobre rosto perdido
Entre lágrimas e céu negro, olhos cor do sangue mais vivo
Já nem as lágrimas se aproximam para ver, tanta que é a dor
E tu dizes-me tão simplesmente, que já não sabes mais
Se é sangue que te corre dentro da cabeça dorida, carregada
Ou se é gelo, que te pesa, te corta, te mata toda a alma…
domingo, 4 de janeiro de 2009
Por uma hora
Queria encontrar uma hora, de verdadeira riqueza
Entre as soluções matemáticas contra a dor humana
Pois é tal a febre de encontrar curas para o sentir
Que parte a esperança de viver a vida, vivendo
Fica apenas o desespero, de a passos, expirar
Janela esta que me interrompe o olhar profundo
Para lá da névoa, para além do rochedo longínquo
E nada reconheço, nem minhas mãos nem meus pés
Pessoas ou vultos, são luzes apagadas da memória
Que arrastam consigo cada lágrima que me cai…
A solidão torna-se um fogo quase apagado no canto
A distância converte-se em pura vaidade do vento
O silêncio, apenas uma brasa desprovida de chama
A tristeza revela-se uma memória da perda eterna
E eu… já não reconheço a fragrância do carinho
Já não sei o que é sentir o calor que me abraça
Já não sinto o sabor das pétalas da rosa delicada
Nem o toque da água mais pura, me lava a alma
Mas nunca pude dizer adeus, por medo de partir
Por receito de não poder mais regressar, aqui
Por mais que me seja prometida, a eternidade
Escapasse-me, por entre meus dedos tolos
A verdade mais verdadeira, permanente
É que, eu não sei amar…
Entre as soluções matemáticas contra a dor humana
Pois é tal a febre de encontrar curas para o sentir
Que parte a esperança de viver a vida, vivendo
Fica apenas o desespero, de a passos, expirar
Janela esta que me interrompe o olhar profundo
Para lá da névoa, para além do rochedo longínquo
E nada reconheço, nem minhas mãos nem meus pés
Pessoas ou vultos, são luzes apagadas da memória
Que arrastam consigo cada lágrima que me cai…
A solidão torna-se um fogo quase apagado no canto
A distância converte-se em pura vaidade do vento
O silêncio, apenas uma brasa desprovida de chama
A tristeza revela-se uma memória da perda eterna
E eu… já não reconheço a fragrância do carinho
Já não sei o que é sentir o calor que me abraça
Já não sinto o sabor das pétalas da rosa delicada
Nem o toque da água mais pura, me lava a alma
Mas nunca pude dizer adeus, por medo de partir
Por receito de não poder mais regressar, aqui
Por mais que me seja prometida, a eternidade
Escapasse-me, por entre meus dedos tolos
A verdade mais verdadeira, permanente
É que, eu não sei amar…
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Perto do fogo
Fico a olhar o lume
Apenas pelo prazer de contemplar as chamas
De ver subir aquelas labaredas encarnadas
E sinto uma vontade de poder respirar o fogo
Para sentir como pode purificar o seu calor
E derreter o gelo que me aflige, por dentro
Fico, apenas, a olhar aquele lume
Pelo conforto de estar perto de uma fogueira, apenas
Só para ver como o fumo não resiste a elevar-se no ar
E as brasas se avivam com cada gesto de vento vivo
Para que a magia rubra não se torne cinza morta assim
E o negro, por um pouco, só um pouco, ilumina-se
Fico, só mais um pouco, a olhar o lume
Somente para ver o carvão que aos poucos se vai
Para tornar ao pó, em tom de promessa póstuma
E não deixar para trás restos de uma vida sólida
Para que tudo seja luz e cheiro, e calor, e som
E que de tanto querer dar, queima se for tocado
Apenas pelo prazer de contemplar as chamas
De ver subir aquelas labaredas encarnadas
E sinto uma vontade de poder respirar o fogo
Para sentir como pode purificar o seu calor
E derreter o gelo que me aflige, por dentro
Fico, apenas, a olhar aquele lume
Pelo conforto de estar perto de uma fogueira, apenas
Só para ver como o fumo não resiste a elevar-se no ar
E as brasas se avivam com cada gesto de vento vivo
Para que a magia rubra não se torne cinza morta assim
E o negro, por um pouco, só um pouco, ilumina-se
Fico, só mais um pouco, a olhar o lume
Somente para ver o carvão que aos poucos se vai
Para tornar ao pó, em tom de promessa póstuma
E não deixar para trás restos de uma vida sólida
Para que tudo seja luz e cheiro, e calor, e som
E que de tanto querer dar, queima se for tocado
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Amanhecer
Já não estou mais sóbrio ao sentir
Sem olhos que me vejam dormir
Ando, não paro, irei eu, assim cair?
Espinhos enviesados, retorcidos e virados, tortos
Que se contorcem para me entrar pele adentro
Como raízes de uma dor mais velha que a escarpa
Regados a sangue e magoa, veneno cristalino, puro
Crescem espinhos por meus ossos dentro, tão duros
E são meus, esses dentes que os prendem quietos
Que seguram esses pregos, que se cravam negros
É a força da raiva mais profunda a todo o sofrer
Que mantém à superfície o alento de não perder
Que de farto, quase que quero matar a própria morte
Para não mais a ouvir dizer “Tem mesmo que ser…”
Olho então… mas já não quero mais ver… não…
Que todos os aguilhões do meu tormento se vão
Não passaram de grãos de terra e chuva nos olhos
Olho… mas não quero ter de ver… por favor, não…
Que as vivas dores eram apenas o simples, viver…
E que tudo, mas tudo, não passou de uma ilusão…
Magoado pelo mistério, chorei…
Revoltado com as respostas, gritei…
Mas de olhos abertos… desvendei… que só e apenas,
Nada sei…
___________________________
Voltei...
Sem olhos que me vejam dormir
Ando, não paro, irei eu, assim cair?
Espinhos enviesados, retorcidos e virados, tortos
Que se contorcem para me entrar pele adentro
Como raízes de uma dor mais velha que a escarpa
Regados a sangue e magoa, veneno cristalino, puro
Crescem espinhos por meus ossos dentro, tão duros
E são meus, esses dentes que os prendem quietos
Que seguram esses pregos, que se cravam negros
É a força da raiva mais profunda a todo o sofrer
Que mantém à superfície o alento de não perder
Que de farto, quase que quero matar a própria morte
Para não mais a ouvir dizer “Tem mesmo que ser…”
Olho então… mas já não quero mais ver… não…
Que todos os aguilhões do meu tormento se vão
Não passaram de grãos de terra e chuva nos olhos
Olho… mas não quero ter de ver… por favor, não…
Que as vivas dores eram apenas o simples, viver…
E que tudo, mas tudo, não passou de uma ilusão…
Magoado pelo mistério, chorei…
Revoltado com as respostas, gritei…
Mas de olhos abertos… desvendei… que só e apenas,
Nada sei…
___________________________
Voltei...
sábado, 6 de dezembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Para longe...
Faço intenção de fazer valer o poder da distância, matarei pela falta o que não posso cortar…
Volto, um dia de entre muitos, eu volto…
Volto, um dia de entre muitos, eu volto…
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Último sopro
Final de todos os “finalmentes” em cadencia de trote
Caiu aos pés do tempo outro cadáver da eterna guerra
Em terra, por terra, sem um prazo definido de vida
Mas como uma data marcada de morte… de tudo…
Dias inteiros, quebrados pela fome de ser o que sou, Eu!
Sem alento ou vento para voar para lá de alem do mundo
Os nexos perdem-se nas razões que movem as nuvens
E todos os motivos se convertem em desculpas murchas
Não existe qualquer senso no que o racional não vê
Mas se penso ou se julgo apenas pensar, se penso
São apenas momentos, de tão vagos, translúcidos
Nunca sei, não sei, não… por favor… deixem-me…
O que me dói sempre mais é pensar, sem parar
Que o inverno guarda o que quero para mim, fechado
Num inferno que encontro sempre na palavra “amar”
Acredito, sem sombras, sem duvidas…
Que não tinha de ser assim…
Caiu aos pés do tempo outro cadáver da eterna guerra
Em terra, por terra, sem um prazo definido de vida
Mas como uma data marcada de morte… de tudo…
Dias inteiros, quebrados pela fome de ser o que sou, Eu!
Sem alento ou vento para voar para lá de alem do mundo
Os nexos perdem-se nas razões que movem as nuvens
E todos os motivos se convertem em desculpas murchas
Não existe qualquer senso no que o racional não vê
Mas se penso ou se julgo apenas pensar, se penso
São apenas momentos, de tão vagos, translúcidos
Nunca sei, não sei, não… por favor… deixem-me…
O que me dói sempre mais é pensar, sem parar
Que o inverno guarda o que quero para mim, fechado
Num inferno que encontro sempre na palavra “amar”
Acredito, sem sombras, sem duvidas…
Que não tinha de ser assim…
sábado, 8 de novembro de 2008
Visões turvas
A verdade naquele espelho de grades e névoa
Onde os grilhões são cordas para a liberdade
Não existe mais realidade que aquela vivida
Porque não é vida se não for por mim sentida
E eu perdi faz muito toda a réstia de sanidade
Nem sequer quero mais sentir o calor da terra
Na certeza insegura de um sentimento funesto
Por becos intransitáveis da alma, de tão cansada
Em ritmo tremulo de um passo, sem mais perdão
Procuro tudo em todos, sem ter qualquer revelação
Sei que a minha mão é débil, cobarde e desarmada
E mesmo nos dias de maior pesar, não mais protesto
Pela vontade de realizar o propósito de ser assim
Em quantos dias deixei tudo, por mais um segundo
Parti sem ar, sem vento, sem sangue e desalmado
Mas nunca fui quem morreu sem ser um dia amado
Apenas alguém a quem o amor dói mais que tudo
E sei, bem que sei, que aqui, nada há para mim…
__________________________________
"A tristeza nunca escolhe um lugar para dormir"
Onde os grilhões são cordas para a liberdade
Não existe mais realidade que aquela vivida
Porque não é vida se não for por mim sentida
E eu perdi faz muito toda a réstia de sanidade
Nem sequer quero mais sentir o calor da terra
Na certeza insegura de um sentimento funesto
Por becos intransitáveis da alma, de tão cansada
Em ritmo tremulo de um passo, sem mais perdão
Procuro tudo em todos, sem ter qualquer revelação
Sei que a minha mão é débil, cobarde e desarmada
E mesmo nos dias de maior pesar, não mais protesto
Pela vontade de realizar o propósito de ser assim
Em quantos dias deixei tudo, por mais um segundo
Parti sem ar, sem vento, sem sangue e desalmado
Mas nunca fui quem morreu sem ser um dia amado
Apenas alguém a quem o amor dói mais que tudo
E sei, bem que sei, que aqui, nada há para mim…
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"A tristeza nunca escolhe um lugar para dormir"
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