Arde mais um cigarro...
Mas o fumo que se esvai, leve, vão, não leva só o ar...
A minha alma voa, corpo a dentro, sopro a fora, quente…
Do mesmo e sensual modo em que as ondas se meneiam...
Cinza que se agarra à chama numa crepitante inconstância…
Sem força... sem esforço... sem peso... ardo lenta e passivamente...
E o meu alento sobe... e em “nada” se torna, de novo, talvez...
Sendo imagem, sendo cheiro e sabor apenas por breve circunstancia...
Sendo vapor que desaparece e deixa as cinzas do meu corpo...
Sendo apenas um intervalo tóxico, um fumo inebriante,
Por um instante, breve... a definição encontra-se…
Perturbante…
Na conclusão… de que nada sou…
Nada mais que...
O próprio cigarro entre meus dedos…
terça-feira, 2 de junho de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Nunca me mintas
Se um dia a verdade te trair as palavras
As mais simples que os teus lábios soltarem
Pelo fundamento mais imerso na escuridão…
Por medo
Por mera distracção
Falta da minha atenção… que sei eu!
Mesmo que por vezes penses que foram tolos sonhos
Tão só e apenas…
Diz-me…
Conta-me…
Revela tudo…
Não suporto os segredos ancorados nas tuas pupilas
Espreitando… no negro centro da íris…
Se não souberes mais como falar… GRITA!!!
Como as guitarras eléctricas na minha mente!
Como os tiros escondidos na batida da musica!
Como uma porta que bate ao fechar nas costas!
Se me assustares… acordarei…
Se me magoares… aprenderei…
Se eu fugir… não sei… se voltarei…
Se me sinto traído… morres para mim…
Diz-me então… sempre… antes que eu parta de vez,
Na noite fria, em busca de estrelas no fundo do poço…
Procurando no abismo o reflexo de uma luz
Que me carregue…
Diz-me sempre…
A verdade mais pura…
Naquilo que sentes…
As mais simples que os teus lábios soltarem
Pelo fundamento mais imerso na escuridão…
Por medo
Por mera distracção
Falta da minha atenção… que sei eu!
Mesmo que por vezes penses que foram tolos sonhos
Tão só e apenas…
Diz-me…
Conta-me…
Revela tudo…
Não suporto os segredos ancorados nas tuas pupilas
Espreitando… no negro centro da íris…
Se não souberes mais como falar… GRITA!!!
Como as guitarras eléctricas na minha mente!
Como os tiros escondidos na batida da musica!
Como uma porta que bate ao fechar nas costas!
Se me assustares… acordarei…
Se me magoares… aprenderei…
Se eu fugir… não sei… se voltarei…
Se me sinto traído… morres para mim…
Diz-me então… sempre… antes que eu parta de vez,
Na noite fria, em busca de estrelas no fundo do poço…
Procurando no abismo o reflexo de uma luz
Que me carregue…
Diz-me sempre…
A verdade mais pura…
Naquilo que sentes…
sexta-feira, 15 de maio de 2009
O Diabo anda nas ruas da cidade
Eu hoje vi o Demo passear-se nas ruas da cidade.
Trazia atadas aos pés duas crianças e meia, que arrastava pelas veredas de terra batida e nos paralelos de granito.
As duas crianças e meia, vendadas e atadas aos pés do Belzebu, não choravam, não riam, somente e apenas gemiam em tom de cantiga de embalar, ao tom do próprio andar dos negros pés que as pisavam e arrastavam.
Quando eu, e só eu, vi as duas crianças e meia batendo na estrada aos pés de Lúcifer, gritei bem alto, até que a voz me traiu: “Salvem as crianças que são levadas nos pés do Demónio!!! Alguém as liberte!!!”
… Todos me olharam, na minha figura… alguns riram… outros falaram… “…psh psh psh… é louco, deixa-o… psh psh psh… não ligues…”
…Até as crianças, todas as duas e meia que eram, me olharam de espanto, como se as acusasse de crimes contra a lei de Deus, quando eu só as queria salvar…
As duas crianças e meia… tinham nomes, apesar de pequenas… tinham nomes!... e desses seus nomes, sei apenas o primeiro de cada uma das duas e meia… “Orgulho”, “Inveja” e “Ira”…
Vi então, escrito nas folhas de uma arvore, “Tu és do dono do Inferno!” e soube então, que todas elas por inteiro, as duas crianças e meia, eram filhos da minha dor, órfãos da minha mente decadente, partes do ser que renego constantemente… que nem eu quero salvar… e se o Diabo se diverte, levando-as aos seus pés pelas ruas da calçada, é somente porque os pecados que cometi, por pura e mera estupidez, são recreio para o fogo das línguas afiadas, que me consomem os pensamentos sem saírem das bocas que as carregam… matam-me o pensamento a cada dia… com esses pensamentos…
Dói-me então… todo o espírito… que não sei se quero, salvar ou deixar ir… as duas crianças e meia atadas aos pés do Demónio…
Trazia atadas aos pés duas crianças e meia, que arrastava pelas veredas de terra batida e nos paralelos de granito.
As duas crianças e meia, vendadas e atadas aos pés do Belzebu, não choravam, não riam, somente e apenas gemiam em tom de cantiga de embalar, ao tom do próprio andar dos negros pés que as pisavam e arrastavam.
Quando eu, e só eu, vi as duas crianças e meia batendo na estrada aos pés de Lúcifer, gritei bem alto, até que a voz me traiu: “Salvem as crianças que são levadas nos pés do Demónio!!! Alguém as liberte!!!”
… Todos me olharam, na minha figura… alguns riram… outros falaram… “…psh psh psh… é louco, deixa-o… psh psh psh… não ligues…”
…Até as crianças, todas as duas e meia que eram, me olharam de espanto, como se as acusasse de crimes contra a lei de Deus, quando eu só as queria salvar…
As duas crianças e meia… tinham nomes, apesar de pequenas… tinham nomes!... e desses seus nomes, sei apenas o primeiro de cada uma das duas e meia… “Orgulho”, “Inveja” e “Ira”…
Vi então, escrito nas folhas de uma arvore, “Tu és do dono do Inferno!” e soube então, que todas elas por inteiro, as duas crianças e meia, eram filhos da minha dor, órfãos da minha mente decadente, partes do ser que renego constantemente… que nem eu quero salvar… e se o Diabo se diverte, levando-as aos seus pés pelas ruas da calçada, é somente porque os pecados que cometi, por pura e mera estupidez, são recreio para o fogo das línguas afiadas, que me consomem os pensamentos sem saírem das bocas que as carregam… matam-me o pensamento a cada dia… com esses pensamentos…
Dói-me então… todo o espírito… que não sei se quero, salvar ou deixar ir… as duas crianças e meia atadas aos pés do Demónio…
segunda-feira, 20 de abril de 2009
O punhal
O teu olhar mata toda a luz
Nos semblantes mais perfeitos
Nas flores mais cálidas, serenas
Consumindo-lhe todos os defeitos
O teu olhar consegue queimar
Exame que tormenta e se retorce
Penetra profunda, fatalmente
E quem sou eu, para te escapar
No fogo, árduo suplicio do prazer
Cravas-me de mágoa e passado
E quase que arruíno meus olhos
Só porque insisto em tentar ver
Só porque persisto em te resolver
Apenas, porque quero, perceber
Tomado pela cegueira, hesitação
Procuro nas mãos, uma resposta…
Papel, que os teus olhos retalham
Os teus olhos seduzem, ceifam
Pendendo à beira do teu sussurro
Fico assim, apenas com uma questão
Com meus lábios serrados, mudo
Porque insisto eu… nesta busca…
Gritando teu nome, até ficar surdo
Apenas…
Por ti…
______________________________________
A centezima mensagem que deposito neste blog, é dedicada a todos quantos acompanham e gostam de acompanhar os devaneios que aqui registo.
Beijos, abraços e um muito profundo "Obrigado a todos"
Nos semblantes mais perfeitos
Nas flores mais cálidas, serenas
Consumindo-lhe todos os defeitos
O teu olhar consegue queimar
Exame que tormenta e se retorce
Penetra profunda, fatalmente
E quem sou eu, para te escapar
No fogo, árduo suplicio do prazer
Cravas-me de mágoa e passado
E quase que arruíno meus olhos
Só porque insisto em tentar ver
Só porque persisto em te resolver
Apenas, porque quero, perceber
Tomado pela cegueira, hesitação
Procuro nas mãos, uma resposta…
Papel, que os teus olhos retalham
Os teus olhos seduzem, ceifam
Pendendo à beira do teu sussurro
Fico assim, apenas com uma questão
Com meus lábios serrados, mudo
Porque insisto eu… nesta busca…
Gritando teu nome, até ficar surdo
Apenas…
Por ti…
______________________________________
A centezima mensagem que deposito neste blog, é dedicada a todos quantos acompanham e gostam de acompanhar os devaneios que aqui registo.
Beijos, abraços e um muito profundo "Obrigado a todos"
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Inspira-me
Corta, arranca, morde-me esta mente!
Leva-me ao vazio, derradeiro fio da lâmina
Que retalha e descarna o osso alvo, duro
Rígido fundamento…
Desenraíza-me então de todo o entendimento
Que habitar corpo vão, é dor de permanecer
Em Locus Horrendus da memoria profunda
Em tal abismo…
Profundamente cravado sobre lajes de cinismo
Sou depravada criação de um qualquer tom
Das cores, que ardem entre o rubro e o carmim
Apenas sangue…
Abraça-me então…
Segura-me com força a carne oh alento desertor
Sopra então teu vento, dos teus lábios finos, céu
E diz-me, o que sou eu para ti, aqui na terra…
Para além de um tolo sonhador..?
Leva-me ao vazio, derradeiro fio da lâmina
Que retalha e descarna o osso alvo, duro
Rígido fundamento…
Desenraíza-me então de todo o entendimento
Que habitar corpo vão, é dor de permanecer
Em Locus Horrendus da memoria profunda
Em tal abismo…
Profundamente cravado sobre lajes de cinismo
Sou depravada criação de um qualquer tom
Das cores, que ardem entre o rubro e o carmim
Apenas sangue…
Abraça-me então…
Segura-me com força a carne oh alento desertor
Sopra então teu vento, dos teus lábios finos, céu
E diz-me, o que sou eu para ti, aqui na terra…
Para além de um tolo sonhador..?
terça-feira, 14 de abril de 2009
Tenebrae (Ofício de Trevas)
Da paixão dita e desdita, contada, transmissível
Que gera uma tal infecção de fé, que só tu tens
Leva-me sempre aos joelhos, enfrentando as luzes
Com mãos atadas entre os dedos, ao Tenebrário...
Onde estão as minhas 15 velas? EU tas devo hoje!
Em poemas que hão de vir, hão de ser, em mim...
À direita do degrau que não me atrevo a subir
Encontro com os olhos centena e meia de versos
Que li na fúria de te encontrar uma lei, um verbo!
Mas não existe uma constante, um sinal apenas
Entre as tuas luzes em tremor de fogo lento
Apenas resta à vista o vértice da palavra!
No teu ofício de Trevas, és a prova imaculada
Que do próprio seio de Maria, nasce a verdade!
Se de verdade se trata a fé, em baptismo, em morte
Acredito que no fogo que trazes em ti, ardente!
Queimando, moendo, olhares profundos em ti, assim
Sem alívio para quem tenta entrar nos teus Prazeres
Volta então à cinza, o homem consumido de desejo…
Pois nos cânticos eclesiásticos, não existem, assim
Forças que movam a alma, como tu, em teus dedos
E só tu assim consegues, faze-lo com tais palavras…
____________________________________
Dedicado a Maria Treva Flor, que podem visitar ali ao lado.
Espero que ela goste, como eu gosto do que ela escreve.
____________________________________
O ofício de trevas (Tenebrae) é uma cerimónia medieval da Paixão, que consiste em ir apagando as 15 velas do tenebrário (candelabro triangular ao lado direito do altar), representando os 150 salmos da Bíblia, até só uma, que representa Cristo, ficar acesa.
Ao final de cada versículo cantado, as velas do tenebrário foram apagadas, uma a uma, de modo que, ao final, a Igreja permanecesse em total escuridão. Apenas a vela do vértice do triângulo não se apaga, simbolizando Cristo, a luz que ilumina todo o homem, e sua ressurreição.
Que gera uma tal infecção de fé, que só tu tens
Leva-me sempre aos joelhos, enfrentando as luzes
Com mãos atadas entre os dedos, ao Tenebrário...
Onde estão as minhas 15 velas? EU tas devo hoje!
Em poemas que hão de vir, hão de ser, em mim...
À direita do degrau que não me atrevo a subir
Encontro com os olhos centena e meia de versos
Que li na fúria de te encontrar uma lei, um verbo!
Mas não existe uma constante, um sinal apenas
Entre as tuas luzes em tremor de fogo lento
Apenas resta à vista o vértice da palavra!
No teu ofício de Trevas, és a prova imaculada
Que do próprio seio de Maria, nasce a verdade!
Se de verdade se trata a fé, em baptismo, em morte
Acredito que no fogo que trazes em ti, ardente!
Queimando, moendo, olhares profundos em ti, assim
Sem alívio para quem tenta entrar nos teus Prazeres
Volta então à cinza, o homem consumido de desejo…
Pois nos cânticos eclesiásticos, não existem, assim
Forças que movam a alma, como tu, em teus dedos
E só tu assim consegues, faze-lo com tais palavras…
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Dedicado a Maria Treva Flor, que podem visitar ali ao lado.
Espero que ela goste, como eu gosto do que ela escreve.
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O ofício de trevas (Tenebrae) é uma cerimónia medieval da Paixão, que consiste em ir apagando as 15 velas do tenebrário (candelabro triangular ao lado direito do altar), representando os 150 salmos da Bíblia, até só uma, que representa Cristo, ficar acesa.
Ao final de cada versículo cantado, as velas do tenebrário foram apagadas, uma a uma, de modo que, ao final, a Igreja permanecesse em total escuridão. Apenas a vela do vértice do triângulo não se apaga, simbolizando Cristo, a luz que ilumina todo o homem, e sua ressurreição.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Sombras na vida
Não são apenas os meus dedos
Que encontram os teus, só teus
Não sou apenas eu que procuro
Pois a busca é a nossa partilha
No olhar que lançamos aos céus
Caímos ambos, nós, os dois
Naquela negra armadilha…
Debaixo do sol, somos sombras
De nós mesmos, para nós próprios
E apenas o toque é sentido válido
Quando a escuridão é noite eterna
Nos ouvidos surdos
Nos olhos cegos
Na boca seca
Sem cheiro
Não mais posso ver os passos de luz
Que me deixaram no amor, na génese
Pois com corridas tolas, rápidas, ofegantes
Perdi chaves e fechaduras das algibeiras
Perdi respostas e perguntas da boca
Perdi as mãos com que te tocava…
Perdi-as dos braços, que te abraçavam…
Perdi minhas mãos, as minhas mãos!!!
Que deixei nas sombras dos meus pés
Por olhar o Sol, por querer a Luz
Luz que não me pertencia ver
E a acção leva à reacção
Crime, olhar o divino
Castigo, cegueira
Vida, quebrada
Morte, lenta
Simples…
Desespero…
Que encontram os teus, só teus
Não sou apenas eu que procuro
Pois a busca é a nossa partilha
No olhar que lançamos aos céus
Caímos ambos, nós, os dois
Naquela negra armadilha…
Debaixo do sol, somos sombras
De nós mesmos, para nós próprios
E apenas o toque é sentido válido
Quando a escuridão é noite eterna
Nos ouvidos surdos
Nos olhos cegos
Na boca seca
Sem cheiro
Não mais posso ver os passos de luz
Que me deixaram no amor, na génese
Pois com corridas tolas, rápidas, ofegantes
Perdi chaves e fechaduras das algibeiras
Perdi respostas e perguntas da boca
Perdi as mãos com que te tocava…
Perdi-as dos braços, que te abraçavam…
Perdi minhas mãos, as minhas mãos!!!
Que deixei nas sombras dos meus pés
Por olhar o Sol, por querer a Luz
Luz que não me pertencia ver
E a acção leva à reacção
Crime, olhar o divino
Castigo, cegueira
Vida, quebrada
Morte, lenta
Simples…
Desespero…
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